sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

39 anos de batalha, sem descanso, na vida
19 anos, trapos juntos, com a mesma rapariga
9 bocas de criança para encher de comida
Mais de mil pingentes na família para dar guarida
Muita noite sem dormir na fila do INPS

Muita xepa sobre a mesa, coisa que já não estarrece
Todo dia um palhaço dizendo que Deus dos pobres nunca esquece
E um bilhete mal escrito
Que causou um certo interesse

"É que meu nome é João do Amor Divino de Santana e Jesus
Já carreguei, num guento mais,
O peso dessa minha cruz"

Sentado lá no alto do edifício
Ele lembrou do seu menor
Chorou e, mesmo assim, achou que
O suicídio ainda era o melhor

E o povo lá embaixo olhando o seu relógio
Exigia e cobrava a sua decisão
Saltou sem se benzer por entre aplausos e emoção
Desceu os 7 andares num silêncio de quem já morreu
Bateu no calçadão e de repente
Ele se mexeu

Sorriu e o aplauso em volta muito mais cresceu
João se levantou e recolheu a grana que a platéia deu
Agora ri da multidão executiva quando grita:"Pula e morre, seu otário"
Pois como tantos outros brasileiros
É profissional de suicídio
E defende muito bem o seu salário

joão do amor divino. luiz gonzaga jr.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

la vida está ahí para ser bebida.
"liberdade na vida
é ter um amor
pra se prender"
fabrício carpinejar

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

40 minutos escovando o dente com muita pasta o sabão no corpo o shampoo no cabelo fazendo ondas de neve fofa sabão líquido na torneira do banheiro do prédio da filô que é a jato chacoalho a caixa de leite e espremo lavo a louça na base do sabão de álcool da sara ou de detergente creme de leite bem batido com açúcar e leite faz chantilly cremoso a cerveja gelada jogada do alto no copo comprido chopp escuro fresco suco de abacaxi com hortelã saído do liquidificador, pára tudo: deixa essa espuma pra mim!
viver é um risco,
mas conviver arrisco.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

também acho terríveis as fofocas filosóficas. o determinismo psicológico então, horror! e essa gente que sabe mais biografia que bibliografia?! fico realmente indignada com esse tipo de coisa.
- acho que o kant ignorou o corpo porque era virgem, o coitado...
- ah, definitivamente!
retirar as linhas que dividem e subdividem o desejo, o territorializam no espectro do inteligível e do discutível discursável, me permitem falar dele agora como se alguém compreendesse algo do que quero dizer, não sei se é o capital que o codifica apenas, já seria o bastante - se eu falo em termos de capital - o caput, a cabeça, para pensar necessito de uma linguagem a minha está prenhe de remissões a esta lógica-,-,:, se eu invisto ou não na minha relação com esta pessoa que desejo (ou diretamente nela),;´ se vou ficar no prejuízo agindo assim, ou quem sabe no lucro, e como se dá esta relação, se posso dizer de outro modo, ou consigo dizer do mesmo modo algo completamente diferente, ressignificar a língua e meu jeito de amar, que formato, jesus, ó, que modelo, senhor? de que cor e de qual tamanho, papai do céu, vou querer esta mulher, não me pergunte, não me pergunte, por favor, minha cara ou barata, sim, minha baratinha, fique bem quietinha aí para não espantar ninguém. como ser compreendida no mundo das máquinas?: comunicar segundo os moldes já conhecidos das peças deste abacadabra, a palavra tão repetida, a expressão cliché, blasé, vendée, meu desejo há de ser français ou chinês. meu desejo precisa ser um continente sem nome e sem espaço, aquela ilha desconhecida cujos limites vejo se alargarem até as beiradas das sombras de onde meu olho alcança, negando-se ao rejeitando o dando as costas sempre e sempre ao carimbo? onde então meu desejo expansivo !, meu desejo molengo de me espalhar toda no lençol (? fresco no tempo sem tempo,, no mundo mundano a pele em contato com tudo no mesmo instante a vida pulsante a emoção extasiada do presente,. não é mais não conseguir descrever com a cabeça de boi, é mesmo querer viver sem palavra.
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para karinka, como um agradecimento.